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terça-feira, 2 de abril de 2013

Coreia do Norte: o Estado Gulag



 
O Comitê dos Direitos Humanos na Coreia do Norte publicou recentemente a segunda edição de “O Gulag Escondido: as vidas e as vozes d’ ‘Aqueles que são enviados para as Montanhas’”, de David Hawk. Segundo Doug Bandow, analista do Cato Institute, trata-se de um estudo terrivelmente esclarecedor, com base em imagens de satélite e depoimentos pessoais, que vão surgindo em maior quantidade agora em que há mais de 23.000 fugitivos norte-coreanos vivendo na Coreia do Sul.

Com base no estudo, Doug Bandow observa no artigo “Coreia do Norte: o Estado Gulag”, recentemente publicado no American Spectator:

A Coreia do Norte é, para dizer o mínimo, um “problema”. A assim chamada República Democrática Popular da Coreia dedica grande parte de seu tempo ameaçando países. Pyongyang gasta um dinheiro que não tem em armas nucleares, mísseis e cerimônias de propaganda com uma bizarra coreografia sincronizada. Ela inaugurou um sistema de comunismo monárquico pelo qual o poder passa de um filho idiota para outro.

Pior ainda: pelo menos para o povo norte-coreano, a Coreia do Norte criou um genuíno Estado Gulag, com um “Arquipélago Gulag” [...] menor que o original, mas igualmente assassino. O desafio político mais importante que Washington tem a enfrentar continua sendo o programa nuclear da Coreia do Norte. Mas o objetivo final é diminuir a opressão de Pyongyang sobre a própria população.

Que a Coreia do Norte é repressiva não é novidade. No entanto, é difícil para qualquer um no Ocidente imaginar o tamanho da repressão naquele país.

Alguns destaques do artigo de Bandow sobre o quadro atual da Coreia do Norte:

  • Em nenhum outro lugar do mundo – talvez a Eritreia se aproxime – ocorrem violações aos direitos humanos tão violentas e em tão larga escala, com total negação aos direitos humanos e às liberdades fundamentais.
  • Qualquer um está sujeito à punição brutal.
  • Pensar o politicamente incorreto engloba tudo, desde ser um cristão até ser um marxista ortodoxo que se oponha ao comunismo monárquico.
  • Deter o conhecimento errado foi o que ocorreu com os estudantes e diplomatas norte-coreanos que se encontravam estudando ou em missão nos países do Leste Europeu no final dos anos 1980 durante o colapso do socialismo. Eles foram imediatamente chamados à Coreia do Norte e transferidos para campos de trabalho para evitar qualquer transmissão de conhecimento sobre o colapso do socialismo nos aliados da Coreia do Norte e sua divulgação por toda a população.
  • Não há nem mesmo um falso e teatralizado julgamento público. Ao contrário dos nazistas e do regime de Stalin, a família Kim não se dá ao trabalho de promover estes atos de fachada.
  • Todos os presos são mantidos incomunicáveis, tratados brutalmente e recebem rações alimentares deficientes – são levados a comer, se houver à disposição, plantas, capim, cascas, ratos, cobras e comida que alimenta os animais dos campos de trabalho.
  • As condições de trabalho são severas e a taxa de mortalidade elevada.
  • Kim Il-sung justifica as prisões dos “inimigos da classe” como “uma medida legítima para proteger a democracia do país de seus elementos hostis e impuros que violaram a ordem democrática e tentaram destruir nosso sistema socialista.”
  • A família do preso acaba sendo também aprisionada e os campos de trabalho submetem ao mesmo regime mulheres, crianças e idosos.
  • Há diversos campos de trabalho – denominados kwan-li-so – de enormes dimensões, localizados nas montanhas e vales, especialmente ao norte do país. Há entre 5.000 e 50.000 prisioneiros em cada kwan-li-so totalizando entre 150.000 e 200.000 prisioneiros em toda a Coreia do Norte.
  • A tortura é generalizada em todo o sistema. Os norte-coreanos também empregam rotineiramente o aborto forçado e o infanticídio, especialmente nos kwan-li-so.
  • O que torna a estória de repressão norte-coreana ainda mais chocante é a cumplicidade da China.
  • Um maior respeito pela liberdade e dignidade humana exigirá uma transformação de dentro pra fora – talvez acelerada por uma ação de Pequim, se o governo chinês passar a acreditar que a Coreia do Norte será um aliado mais estável e valioso se sua conduta for menos notória.

(Leia o artigo na íntegra em North Korea: The Gulag State  - Doug Bandow é membro sênior do Cato Institute e ex-assistente especial do presidente Ronald Reagan.)
* Síntese do artigo republicado em Cato Today, Cato Institute, May 4, 2012.

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