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segunda-feira, 29 de abril de 2013

CAXIROLA ou CAXIXI

"Vuvuzela brasileira", caxirola é lançada no Ba-Vi em Salvador...
 Evento de "apresentação" do instrumento musical ocorreu após atraso em Salvador Foto: Ana Carolina Araújo / Especial para Terra
 
​​A tarde deste domingo foi cheia de novidades na Arena Fonte Nova, sede baiana da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. Duas horas antes do jogo do clássico Ba-Vi, válido pelo Estadual, o músico Carlinhos Brown comandou a entrevista que apresentou à imprensa a caxirola, instrumento musical licenciado pela Fifa e criado por ele para ser o som oficial dos jogos. O dérbi soteropolitano também foi o primeiro evento-teste oficial do Comitê Organizador Local (COL) e evidenciou que muita coisa ainda precisa ser revista.

Para a imprensa, a dor de cabeça começou cedo. Com a falta de informação dos seguranças e orientadores, foi difícil encontrar as entradas e estacionamentos corretos, e a própria assessoria de imprensa dos produtores da caxirola teve dificuldade em chegar ao media center. Parte do trajeto dos repórteres precisou ser feito sob chuva, e o acesso ao espaço precisou ser feito pelas escadas, já que o único elevador que chega ao local tem capacidade para apenas oito pessoas e também leva convidados para os camarotes e cadeiras numeradas.


Marcada para as 13h (de Brasília), a apresentação da caxirola começou com mais de uma hora de atraso e dourou menos de 15 minutos. Além do próprio Brown, que desenvolveu o aparelho com inspiração no baiano caxixi, participaram do desenvolvimento do projeto a Braskem, que fabrica o plástico de cana de açúcar utilizado no instrumento, a The marketing Store, especializada na produção de objetos em larga escala, e o selo I’m Green.


Durante a entrevista, o músico foi provocado a responder as declarações do comentarista esportivo Juca Kfouri sobre o instrumento: “A vuvuzela foi um porre na Copa passada, mas era uma tradição na África do Sul. A caxirola é uma invenção bizarra, um plágio do caxixi, o chocalho de palha que complementa o berimbau. A presidenta endossa um troço que custará R$ 20, produzida por uma empresa norte-americana associada a Brown... Ou seja: vão introduzir uma barulheira não usual em nossos estádios. E ganhar muito dinheiro".

Músico Carlinhos Brown foi o inventor da caxirola Foto: Ana Carolina Araújo / Especial para Terra

​Inicialmente, o músico disse que a caxirola era democrática a ponto de receber críticas, mas depois disse que precisava defender a invenção. “Vou mandar um par pra ele, e ele verá como ela é doce. Primeiro, o pessoal reclama que ninguém apoia as coisas do Brasil. Aí, quando vem uma multinacional, reclama também”, criticou.


A prometida caxiraula (aula de caxirola), apesar de bonita, ficou bem aquém do esperado. Isso porque começou às 15h15, 45 minutos antes de a bola rolar. Como o novo patrocínio só permite o consumo de uma marca de cerveja dentro do estádio (a preços nada amigáveis, diga-se de passagem), o torcedor só ocupou as arquibancadas nos últimos minutos. Resultado: Brown e seus alunos do projeto Pracatum tocaram para menos de 40% do público, a prometida “ola sonorizada” só aconteceu no campo, tudo com muitas falhas de microfones e dos vídeos que foram exibidos.

Ressalvados os imprevistos, a caxirola pareceu fazer sucesso entre os torcedores, que já incorporaram o instrumento a seus gritos de guerra antes do início da partida. Mas, como previu Kfouri, o ruído é altíssimo e já foi alvo de reclamações, especialmente dos radialistas que transmitiam a partida ao vivo e tiveram problemas com o áudio.

Outro problema ocorreu depois, no final do primeiro tempo, quando a torcida do Bahia, que perdia por 2 a 0, começou a arremessar parte das 50 mil caxirolas distribuídas no campo. O problema precisou ser contornado pela Polícia Militar.
 (Ana Carolina Araújo / Especial para Terra)

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