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sábado, 23 de março de 2013

Inflação no Brasil - Plano Cruzado

O processo inflacionário no Brasil iniciou uma trajetória crescente a partir da década de 1970, devido às pressões de demanda geradas pelo déficit público. Inicialmente criado para proteger contratos contra a perda de valores, o sistema de correção monetária se difundiu e progressivamente se enraizou na economia, tornando automática a correção de preços pela inflação passada. Além disso, o convívio prolongado com taxas de inflação elevadas induziu à ligação entre a taxa de inflação esperada e a inflação passada, reforçando o sistema de indexação, o que representou um forte componente de realimentação da inflação, tornando-a inercial.
No período de 1981 a 1984, a partir de um acordo com o FMI que objetivava o equilíbrio das contas externas, foram tomadas as seguintes medidas:

- Desvalorização cambial;
- Variação cambial indexada à inflação;
- Arrocho salarial;
- Aumento de tributos;
- Corte de gastos públicos;
- Controle da oferta de moeda;
- Aumento da taxa de juros.


A inflação se manteve alta, pois houve aumento dos custos, devido à desvalorização cambial, não houve desindexação, e o déficit público continuou alto.

Com o término da ditadura militar, o Brasil precisava se reestruturar financeiramente e conter os elevados índices de inflação, além de abastecer o mercado com os alimentos que estavam em falta.

Para tal, a primeira série de medidas econômicas pós-ditadura começou em fevereiro de 1986 com José Sarney, então presidente da república, e Dilson Funaro, Ministro da Fazenda à época. Este conjunto ficou conhecido como Plano Cruzado.

Plano Cruzado


O plano cruzado foi caracterizado por diversas medidas econômicas criadas para colocar o Brasil nos eixos, baseadas na reforma monetária, com alteração da unidade do sistema monetário, que passou a denominar-se cruzado (Cz$), cujo valor correspondia a mil unidades de cruzeiro. O período era conturbado. A ditadura era recém terminada e as eleições presidenciais haviam elegido Tancredo Neves que veio a falecer, não chegando a assumir o poder. O mercado ia mal, alimentos faltavam nas prateleiras e a inflação era altíssima, causando enorme descontentamento da população. Era preciso criar algo para driblar estes problemas. Foi então implementado, em 1986, o Plano Cruzado, focado no combate a inflação inercial, tendo como principais medidas a implantação do "gatilho salarial" ou "seguro-inflação", que estabelecia o reajuste automático dos salários sempre que a inflação alcançasse 20%, além do congelamento: - dos preços dos produtos e serviços;
- da taxa de câmbio a 13,84 cruzados por 1 dólar;
- do salário mínimo, fixado em 804,00 cruzados, o que equivalia a 67 dólares na época;
- dos títulos públicos, substituindo a Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional (ORTN)pela Obrigação do Tesouro Nacional (OTN), cujo valor foi fixada em Cz$106,40;

Consequências do Plano Cruzado

Inicialmente obteve-se sucesso no combate a inflação. Porém, essas medidas tornaram os juros reais negativos e assim estimularam o consumo pressionando os preços que eram contidos pelo congelamento. Ao mesmo tempo, não houve uma equalização dos preços relativos. O congelamento foi determinado em 27 de fevereiro de 1986. Os produtores que costumavam promover reajustes de preços na primeira quinzena de cada mês, ficaram com os preços tabelados incapazes de suprirem a rentabilidade desejada e, em alguns casos, abaixo do custo de produção. Neste sentido, a indústria brasileira se voltou ao mercado financeiro na medida que era desestimulada a investir na produção, gerando uma escassez de produtos que provocou a cobrança de ágio e o estocamento. Por outro lado, o governo brasileiro gerenciou mal seus gastos, aumentando ainda mais a dívida externa. O congelamento da taxa de câmbio levou o país a perder uma parcela considerável de reservas internacionais.

Após as eleições de 1986, com vitória esmagadora do PMDB, o descongelamento dos preços, fez com que a inflação voltasse a disparar, levando o Plano Cruzado ao fracasso. Os desequilíbrios pós-descongelamento foram causados por:

- Política fiscal expansionista
: aumento de gastos e queda de receita, inclusive com a redução da alíquota do IR na fonte;

- Política monetária expansionista: aumento da oferta de moeda e taxas de juros baixas;

- Aumento expressivo dos salários.


Curiosidades do Plano Cruzado

Com o congelamento dos preços, criou-se um clima de fiscalização por parte das população. Conhecidos como "fiscais do Sarney". Populares entusiasmados com o tabelamento, conferiam os preços dos produtos e denunciavam os abusos com indignação, informando à polícia os produtos que eram taxados com ágio, chegando até a fechar as portas de supermercados.

Através do Plano Cruzado houve a criação do seguro-desemprego, que existe até hoje e visa auxiliar os trabalhadores que perderam seus empregos.

Neste período nasceu a mentalidade de estocar alimentos. Muitos mantinham produtos não perecíveis em grande quantidade nos armários, comprava-se o máximo possível logo que recebia-se o salário de forma a não perder o poder de compra e não sofrer com a escassez semanas depois.

Quem não compreendia os avós, agora compreende!
( http://investidorderisco.blogspot.com.br/2013/03/inflacao-no-brasil-o-plano-cruzado.html)

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