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domingo, 20 de janeiro de 2013

O crime que vem do fundo da Lagoa

No período de uma semana, foram encontrados cerca de 60 barcos com pescadores usando as redes de quilômetro
Eduardo Rosa - Comando Ambiental - Especial DP
Desde segunda-feira (14) as Patrulhas Ambientais da Brigada Militar (CABM) em Pelotas e Rio Grande, coordenadas pelo comandante do Batalhão, coronel Ângelo Antônio Vieira da Silva, foram reforçadas com efetivo especializado para o combate à pesca ilegal na Lagoa dos Patos. Os resultados são assustadores, uma vez que toda riqueza do fundo da lagoa está sendo jogada fora com a utilização das redes de arrasto, proibida em qualquer período de captura.
“Estamos atuando de forma intensiva por estarmos no período de defeso, mas principalmente pelo crime ambiental que vem ocorrendo no estuário, quando do processo inadequado da captura de camarão”, ressalta o coronel. Com a rede, explica o comandante, os pescadores capturam um quilo de camarão, mas junto, 20 quilos de outras pequenas espécies e toda a massa orgânica responsável pela procriação de peixes. E que resta é só areia. “O que queremos coibir é a degradação da nossa costa doce, uma vez que essa massa orgânica leva anos para se recompor. Então a rede de arrasto é o nosso alvo.”
O que mais impressionou o comandante foi que no período de uma semana, ele encontrou cerca de 60 barcos com pescadores usando as redes de quilômetro. “Estão varrendo o fundo da lagoa”, desabafa.
No primeiro dia de ação no Litoral Sul foram apreendidas 200 braças de rede de malha de 50 milímetros, mais 112 redes do tipo saquinho para captura de camarão, três redes também de saquinho, uma rede de arrasto e uma embarcação sem numeração e nem registro. Para a fiscalização a Patrulha contou com 40 policiais ambientais, lanchas e viaturas. Na Ilha da Torotama, em Rio Grande, até lanternas foram recolhidas.
Até agora quatro pessoas foram presas - duas no Litoral Sul e mais duas em Osório. Conforme a assessoria de Comunicação Social do CABM, na quinta-feira, 600 quilos de camarão estavam sendo transportados pela BR-101, oriundos do Litoral Sul. A polícia flagrou os veículos no quilômetro 78, na cidade de Osório. A carga estava sendo transportada em uma caminhonete Kangoo, que na quarta-feira teria conseguido fugir de uma barreira do CABM em Rio Grande. Uma equipe monitorou as caminhonetes com placas de Santa Catarina, pela BR-101. A carga era da cidade de São José do Norte e o destino seria a cidade de Florianópolis.

Selo de qualidade
Ainda faltam 13 dias para a liberação da captura de camarão, mas o crustáceo já abastece principalmente restaurantes de outros estados, conforme constatação do coronel Ângelo. “O pescador captura e vende porque tem quem compre. Se a comunidade entendesse o processo, não haveria tanta demanda.”
Outra linha de frente assumida pelo Comando Ambiental são os comerciantes que burlam o fisco e levam o camarão da Costa Doce para Santa Catarina e São Paulo. “Lá chegam a vender por R$ 30,00 o quilo. Acontece que o camarão está graúdo. Durante as operações, tirei foto de um com 16 centímetros, o que atrai os pescadores de fora”, comenta.
Ângelo da Silva concorda com a revisão sobre datas fixas para o período de defeso, que termina no dia 2 de fevereiro. Um assunto que para o oficial deve ser discutido com a sociedade. “Acho que as universidades poderiam realizar estudos sobre as condições das lagoas e indicar o melhor período de captura, sem causar danos ao meio ambiente.”
O coronel vai além ao sugerir que os pescadores podem até criar um selo de qualidade e, assim, valorizar o precioso produto que vem do fundo das lagoas. Mas enquanto não houver mudanças, o Comando Ambiental espera contar com a ajuda da comunidade por meio de denúncia, que pode ser enviada para o telefone de emergência da BM 190.
( Por: Cíntia Piegas - DP)

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