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domingo, 4 de novembro de 2012

Outros modelos socioeconômicos precisam ser debatidos


“Diante das crises amibientais, sociais, climáticas e econômicas que a humanidade vem enfrentando, parece claro que é hora de começar a ouvir as propostas para um desenvolvimento diferente"
 
Fernanda B. Müller, Instituto CarbonoBrasil / Carbono Brasil


Em um mundo onde a taxa de extinção de espécies pode chegar a mil vezes o que seria natural, onde usamos 50 por cento mais recursos do que a Terra pode produzir de forma sustentável, onde 20% das pessoas consomem 85% dos recursos naturais, onde dois bilhões de seres humanos vivem com menos de US$ 2 por dia e 11% da população mundial não tem acesso à água potável, percebemos que há algo de errado. 

Assim, encarando todos esses dados, a grande certeza que parece permear cada nova conferência ou fórum internacional é a necessidade de alterar o sistema vigente que está exaurindo o planeta. Porém, quando tentamos encontrar uma solução para esta demanda, a resposta está longe de ser tão óbvia.

Os mais diversos setores da sociedade pedem por um novo paradigma, um que envolva maior equidade entre os diversos setores da sociedade e de gênero, redução no consumismo de bens desnecessários, produção baseada no uso cada vez menor de recursos naturais e que gere menos resíduos reaproveitando-os ao máximo, comércio justo, inclusão social, educação e saúde de qualidade...enfim, a lista de reivindicações é enorme.

“Mesmo utilizando novas tecnologias, dificilmente poderemos levar avante o projeto do crescimento sem limites. A Terra não aguenta mais e somos forçados a trocar de rumo”, comentou o teólogo Leonardo Boff.

Um planeta finito não suporta um projeto que pressupõe o uso infinito dos bens e serviços, critica Boff se referindo àqueles que propõem como saída para a crise atual um maior gasto público no pressuposto de que este produzirá crescimento econômico e maior consumo com os quais se pagarão mais à frente as astronômicas dívidas privadas e públicas.

Tim Jackson, autor do livro ‘Prosperidade sem crescimento’ defende que o crescimento econômico tem distribuído seus benefícios de maneira desigual, piorando a situação de boa parte da população mundial e favorecendo uma minoria. Ele se pergunta, “será que as economias mais ricas não poderiam aspirar a um tipo diferente de prosperidade - uma prosperidade sem crescimento?”

É difícil imaginar um mundo em que as taxas de crescimento não sejam mais os determinantes do quão bem vai a economia, porque estes conceitos estão muito profundamente arraigados em nossas mentes.

Porém, há séculos pensadores vêm alertando que, em algum momento, o capitalismo chegaria ao seu limite e cairia em crise.
( por

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