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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Câmara de Pelotas tem novos vereadores mas nenhuma mulher

A partir de janeiro, a Câmara de Vereadores de Pelotas contará com 13 novos nomes. O grande número de novatos se deve à Emenda Constitucional 58, aprovada em 2009, que possibilitou o aumento de 15 para 21 cadeiras no Legislativo pelotense. Se dependesse só do eleitor, a renovação provavelmente seria menor. Dos 11 atuais parlamentares que se candidataram à reeleição, oito tiveram sucesso nas urnas e serão reconduzidos.

O Partido dos Trabalhadores (PT) conquistou a maior bancada, com quatro eleitos, e foi o campeão no quesito legenda, com 5.622 votos. Já o Partido Democrático Trabalhista (PDT) ficou com a segunda maior votação, impulsionado principalmente por Anselmo Rodrigues (PDT), o vereador mais votado deste pleito. Além dele, chegam à Câmara pela sigla os candidatos Marcus Cunha (PDT) e Ricardo Santos (PDT).

Por outro lado, a base de apoio da atual gestão municipal continuará forte. A coligação do Partido Progressista e do Partido Republicano Brasileiro emplacou três candidatos: Roger Ney (PP), Waldomiro Lima (PRB) e Rafael Amaral (PP). O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), por sua vez, veio com duas novidades: Luiz Henrique Viana (PSDB) e Vicente Amaral (PSDB).

No próximo mandato, o perfil do vereador na cidade será de um homem de meia-idade. O mais novo é Vitor Paladini (PSB), que tem 31 anos. Os mais velhos são Anselmo Rodrigues (PDT) e Salvador Ribeiro (PMDB), ambos com 65 anos.

Partido dos Trabalhadores
Em comparação com a bancada eleita em 2008, o PT continua com o mesmo número de vereadores, mas destaca-se como o partido que mais terá cadeiras na próxima legislatura. Ivan Duarte (3.776 votos) e Beto da Z-3 (2.303) foram reeleitos junto com os novatos Tenente Bruno (2.436) e Marcola (3.102). Miltinho, que caso eleito iria emplacar seu 7° mandato, e Diaroni Santos não conseguiram reconquistar a cadeira no Legislativo.

Na avaliação de Duarte, que completa 20 anos de carreira dentro do Legislativo municipal, sua reeleição pela quinta vez é sinônimo de um mandato de opinião e postura. “Tive uma avaliação muito boa sobre meu jeito de fazer política. Fizemos uma campanha positiva e barata”, afirma.

No último ano, o petista destacou-se por ter sido o único vereador a votar contra o projeto de lei para aumentar de 15 para 21 vereadores. Também criou o projeto de lei que proíbe o consumo de cigarro e derivados dentro de ambientes de uso coletivo.

PSDB renova bancada
Com 3.267 votos, Viana foi o candidato mais votado do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Ao conversar com a equipe de reportagem do Diário Popular, o advogado de 51 anos comemorou sua primeira eleição e a total renovação da bancada do partido, que a partir de 1o de janeiro também contará com a participação de Vicente Amaral, eleito com 2.230 votos.

Pelo telefone, Viana, que concorria pela terceira vez a uma vaga na Câmara de Vereadores do município (nas outras duas tentativas havia recebido cerca de 2,4 mil votos), destacou o trabalho dedicado à campanha e creditou o sucesso à mensagem transmitida ao longo do processo eleitoral e ao envolvimento de toda a equipe engajada em sua candidatura. “Isto é graças ao trabalho de muita gente e à mensagem que transmiti, a qual acredito muito, de verdade. Quero realmente resolver os problemas e fazer as pessoas acreditarem mais na política”, disse.

Viana também aproveitou a oportunidade para destacar que política não é profissão e que apesar de ter investido mais tempo na divulgação da campanha deste ano, jamais deixou de atuar como advogado. “É verdade que acabei deixando mais trabalho para os colegas de escritório, mas não deixei de trabalhar”, afirma.

No detalhe
Único representante do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Salvador Ribeiro conseguiu se eleger, literalmente, no detalhe. O administrador, que recebeu 2.210 votos, conquistou a vaga na Câmara após o critério de desempate que favorece o candidato mais velho. Salvador, que nasceu em 1947, obteve vantagem contra a companheira de partido Zilda Bürkle, que obteve o mesmo número de votos mas nasceu em 1949. A servidora pública seria a única mulher a representar a Câmara de Vereadores.

Vereador mais votado
Ele repetiu a façanha e é o vereador eleito com maior número de votos, somando 5.801. Anselmo Rodrigues (PDT), o Governaço, está de volta, aos 65 anos, e desta vez na Câmara, onde, garante, ninguém vai calar sua boca. Figura lendária e polêmica, Anselmo, prefeito de 1989 a 1992 e de 1997 a 2000, foi alvo de 156 processos por denúncias de irregularidades e absolvido em todos. A bancada do PDT foi renovada e triplicada: além de Anselmo, será formada por Marcus Cunha e Ricardo Santos.

A eleição não foi surpresa. Anselmo diz que já esperava. O total de votos sim. Acreditou que chegaria aos dez mil e considera que só não obteve essa votação porque as pessoas não tinham seu número. Quem votou nele foi ao seu comitê, de onde não saiu, relata: “Minha campanha foi a miséria das misérias. Nas últimas duas semanas que alguns companheiros me ajudaram nas paradas de ônibus. Fizemos 60 banners de TNT, mas roubaram ou rasgaram todos.”

Voltar a disputar uma eleição foi decisão tomada por pressão da família, depois de 12 anos trabalhando fora. O médico Anselmo Rodrigues passou por Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e por último Paraná, odiando, segundo ele, sábados, domingos e feriados, quando ficava sozinho em um quarto de hotel. “Sou humilde, pobre, só tenho um hobbie: estudar. Estudo e leio muito, pois gosto de estar atualizado”, destaca.

Anselmo frisa que entrou para a história como o prefeito mais votado e agora como vereador. Diz que só não ganhou de Bernardo Souza em 2004 porque foi cassado. “Sou um homem que tem luz própria, ninguém cala a minha boca, ninguém me intimida, eu sou um homem que joga limpo”, salienta, ao acrescentar que dedicou sua vida a atender os pobres e foi um prefeito íntegro. Tanto, que tem um Uno 1.0 e uma casa com um muro “caindo aos pedaços”.

No Legislativo pretende respeitar quem também o respeitar. “Não tenho mágoa de nada e nem de ninguém, mas continuo o mesmo, ninguém me cala”, reafirma. Ainda tem vontade concorrer a senador, é um de seus sonhos: “Mas se não der, não faz diferença. Só peço a Deus para manter meu estetoscópio no pescoço”.

Quem é o Governaço
Anselmo nasceu em Cantão, interior de Santa Vitória do Palmar. Se diz uma pessoa extremamente popular porque é afetivo. Veio do nada, filho de peão de estância, analfabeto, conta que se criou na pobreza absoluta, mas tinha um lar, uma família. “Quando passei no vestibular, meu pai não acreditou. Achou que era um nome igual ao meu”, contou.


Salienta que não juntou nada durante sua vida e que se não trabalhar, não paga suas contas. Não se considera populista, pois esse é o que usa seu poder de persuasão para se beneficiar. “Não é o meu caso. Eu sou autêntico”, assegura. Relata que tinha uns sete anos quando Brizola foi candidato a governador pela primeira vez. “Ele desceu no aeroporto e eu pobrezinho como rato de igreja, estava na avenida Campos Neutrais quando ele passou em carro aberto. Aí eu disse para mim: vou ser político, igual a esse homem. Também já tinha decidido que ia ser médico. Uma vez um amigo me disse, olhando para a prefeitura: ‘Tu vai ser prefeito'. E eu disse: Eu sei, porque quando quero uma coisa, marco o tempo e vou atrás. Tudo que eu tentei, consegui. Não me entrego”, conclui.

Projeto
Celebrando a vitória, o companheiro de Governaço na eleição do PDT, Marcus Cunha já projetava o trabalho a partir do próximo ano. "A primeira ação que pretendo é buscar estabelecer um tratamento digno dentro do Pronto-Socorro. É uma situação caótica que precisa ser resolvida. É minha primeira batalha", falou. O vereador eleito, que disputou sua terceira eleição, não escondeu a emoção da conquista. "É a realização de um sonho, meu e de muita gente, que quer participar da política. Representa o esforço de muitas pessoas que querem melhorar a cidade", finalizou.


( Por André Amaral, Elen Sallaberry, Osiris Reis e Tânia Cabistany - Foto: Moizes Vasconcellos - Diario Popular)

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