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terça-feira, 30 de outubro de 2012

A ELEIÇÃO EM DOIS MOMENTOS

O segundo turno das eleições em Pelotas, encerrado há poucas horas, marca o início e o fim de dois ciclos. Se por um lado representa o começo da fase mais importante na vida política do vereador Eduardo Leite (PSDB), que se tornou neste domingo (29) o mais jovem prefeito da história do município, também encerra os 16 anos dedicados pelo deputado federal Fernando Marroni (PT) à candidatura ao Executivo Municipal.

Para Eduardo e sua vice-prefeita Paula Mascarenhas (PPS) a expectativa depositada nas urnas é gigantesca. A população mostrou o desejo de renovar seus líderes e acreditou no discurso que os dois desenvolveram ao longo da campanha. Se o voto foi com essa crença, as cobranças serão fortes. A cidade espera por uma gestão diferente, moderna, eficiente e capaz de suprir as demandas em setores importantes à vida das famílias, como saúde, educação, desenvolvimento, cultura e transporte.

Escolher nomes qualificados para as secretarias, que tenham a mesma visão da futura gestão e desempenhem com capacidade o trabalho a eles designado, sem que o loteamento político comprometa o plano de governo, será também um desafio a Eduardo Leite. De nada adiantar agradar aos partidos e colocar à frente das pastas quem não entenda o que está fazendo.

E embora em política seja quase sacrilégio anunciar o fim de uma carreira - sobram exemplos no país daqueles que deram a volta -, é impossível enxergar Marroni candidato a prefeito de Pelotas em 2016, pela sexta vez consecutiva. O desgaste de seu nome sinalizou, serviu de arma aos adversários e ressoou nas urnas. Se ele sempre foi uma figura certa no segundo turno, o que o gabaritou a se manter na disputa desde 1996, foi a partir de 2004 que os adversários descobriram a fórmula para enfrentá-lo: ter um nome forte aglutinado em várias legendas. Quanto à sua condição de deputado federal e a possível candidatura em 2014, ele e o partido terão de avaliar.


A falta do discurso novo também pesou. Insistir que Marroni é do mesmo partido da presidente e do governador, por exemplo, foi desnecessário. Nesse ponto, as eleições passadas e até mesmo o primeiro turno não serviram de lição a quem o orientou. O eleitor já havia dito, através do voto, que não se interessava por isso, se ele era próximo de Lula, Dilma ou Tarso. Era como se respondesse: “E daí?” Mas a frase voltou a ser ouvida.

Para o Partido dos Trabalhadores a primeira semana após o segundo turno é de reflexão. A sigla dedicou quase duas décadas a Marroni, chega ao final do ano sem ter feito a renovação (com foco na prefeitura) que os outros partidos fizeram, e sem um nome para ocupar a vaga de seu candidato a prefeito nas últimas cinco disputas. Terá agora quatro anos para encontrar o substituto.

Poucas horas após o resultado das urnas e com o calor da eleição já em fogo brando, a população começa a projetar a Pelotas administrada por Eduardo Leite. Seu ciclo teve início no dia 28 de outubro de 2012, por volta das 18h35min, quando as urnas o elegeram sem possibilidade mais de derrota. Que o novo, como o tucano fez questão de destacar nos últimos meses, faça o melhor pelo terceiro maior município do Rio Grande do Sul.
(editorial Diário Popular) 

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