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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Como aprendemos a amar uma cidade...

eu amo minha cidade...
 
Fiquei pensando outro dia: o que faz com que a gente ame uma cidade?
Penso que é assim como o lar da gente. Aprendemos que tem um cheiro especial, que só de sentir já relaxa o corpo. Quando a gente vai chegando perto, a emoção acalma, se alegra e começa a cantar.
Nossa vida, entrelaçada com memórias de ruas e janelas, se torna intimamente ligada ao que acontece no pulsar das histórias. Aos antepassados enviamos gratidão, conservando importantes aprendizados. Aos descendentes, reservamos nossos sonhos mais profundos de uma vida digna, justa e feliz.
Amamos uma cidade não porque ela é famosa, pequena, cosmopolita, conservadora, moderna, calma, bonita, turística, industrial, limpa ou qualquer outro adjetivo que se possa imaginar. Amamos simplesmente porque aprendemos a nos sentir parte dela.

Amamos...
Porque a vida das calçadas é também a vida da gente.
Porque respiramos o mesmo ar.
Porque nos importamos com o que lhe possa acontecer.
Porque queremos ver as crianças crescerem saudáveis.
Porque nos sentimos singelamente orgulhosos quando a elogiam.
Porque pudemos escrever nossa história nas páginas de suas ruas.
Porque cultivamos amizades e apreços sem preço.
Porque nosso álbum está cheio de fotos de momentos inesquecíveis.
Porque ela nos oferece o que precisamos.
Porque sentimos gratidão.

Amamos uma cidade como amamos o nosso lar. Sem raízes, perdemos a história. Sem asas, perdemos os sonhos. Uma cidade que nos acolhe é assim, oferece tudo isso.
Penso que para aprender a amar uma cidade, temos que primeiramente amar o nosso lar. Saber quem somos. Ter um compromisso com nossa própria vida. Saber que nossas ações importam. Compreender que somos energia em movimento, e que afetamos positiva ou negativamente qualquer ser vivo ao nosso redor. Diante dessa consciência, sabemos que podemos escolher onde, como e porque viver.
Amar uma cidade não tem nada a ver com ter nascido nela. Porque a vida é feita de escolhas. Podemos escolher sair ou ficar em busca do que nos chama. O que importa mesmo é ouvir o chamado. O que importa mesmo é não fazer da vida uma sucessão de dias repetitivos e sem graça, culpando a cidade por não oferecer o que deveria. Isso não tem nada a ver com a cidade, isso tem a ver com o que somos.
Assim, aprendemos a amar uma cidade não pelo que ela é, mas pelo percurso do nosso caminhar. E não existe regra para o amor. Ele simplesmente acontece, de qualquer jeito e sem avisar. Mas a gente sabe quando ele bate à nossa porta. Portanto, sabemos exatamente quando amamos uma cidade.
 (por: Deborah Dubner)

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