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segunda-feira, 11 de junho de 2012

ACORDA BRASIL - Parte 4

DOAÇÕES EM TROCA DE VOTOS

Equipes de cabos eleitorais são estrategicamente remunerados para visitar eleitores em bairros ou comunidades carentes e identificar sua principais necessidades. Divulgam as propostas dos candidatos, distribuem material publicitário, colam retratos, marcam reuniões ou comícios e anotam as principais reivindicações da comunidade.
Depois dessa primeira visita, os cabos eleitorais discutem com o candidato o que ele deve falar em seu discurso naquele local e definem uma estratégia de investimento, identificando onde seria mais vantajoso investir para conquistar um maior número de votos possível, de acordo com o seu orçamento de campanha, que nunca é declarado em sua totalidade.
Orientado por estas visitas iniciais e por informações de pesquisas quantitativas e qualitativas, o candidato fica bem informado sobre o que deve falar e como pode conquistar mais votos naquela comunidade, montando uma estratégia de investimento que só pode ser cumprida se conseguir doações suficientes para a sua campanha. E para tanto, não importa de onde o dinheiro venha, contanto que chegue em tempo hábil para assegurar a compra de votos.
Muitos cadernos são preenchidos com pedidos de todo tipo: estrada, poço artesiano, construção de banheiros, reformas ou construção de casas populares, além de outros pedidos individuais como óculos, exames de saúde mais complexos, próteses dentárias e muitos outros, que podem ou não se transformar em votos, de acordo com a possibilidade do candidato atender ou não as exigências da comunidade.
No transcorrer desta grande movimentação, os pedintes costumam transmitir os seus pleitos a diversos candidatos, realizando um verdadeiro leilão de votos. Declaram-se dispostos a votar no primeiro que atender suas reivindicações ou dividir os votos da família entre os candidatos que arregimentarem o maior número de benefícios.
Nessa regra do assistencialismo eleitoral que domina os nossos sertões, não vale a simples promessa do benefício. O pedido tem que ser atendido até o dia do pleito, sob pena do eleitor não votar em ninguém ou mudar sua intenção de voto para o candidato que realmente não tem condições de doar nada a ninguém.
Ou seja, vota-se de graça na oposição, mas pra votar no candidato do governo tem que ter algum benefício, pois a eleição é a safra do eleitor e o detentor de mandato eletivo deve dividir com os eleitores um pouco do que já conseguiu ganhar na sua carreira política.
Essa é a ótica do eleitor sobre a compra ou venda de votos, notadamente dos mais carentes. São as regras do jogo político neste imenso Brasil, que exige muito dinheiro dos que pretendem disputar um cargo eletivo.
Com efeito, as hipóteses de abuso de poder econômico ou corrupção eleitoral descritas acima são corriqueiras nos processo judiciais que tramitam na Justiça Eleitoral brasileira, existindo ainda um grave complicador, que é a dificuldade de se chegar a verdade real dos fatos denunciados.
De um lado, encontramos cidadãos que vendem e compram votos. De outro lado, encontramos os que vendem o depoimento, para afirmar em juízo a quem venderam o seu voto e como tudo aconteceu.
Analisando os precedentes judiciais, encontramos casos de cooptação e corrupção de testemunhas tendenciosas, contratadas para relatar o que viram ou inventar o que efetivamente não assistiram, tudo em troca de dinheiro ou de um bom emprego após o resultado positivo de uma investigação judicial eleitoral.
Seria uma forma de prorrogar o contrato temporário de prestação de serviços, passando de cabo eleitoral ou simples eleitor corrompido a testemunha remunerada por vários anos, enquanto durar a demanda judicial, assegurando-se à testemunha o acesso a um bom cargo de confiança ou contrato com a administração pública, caso os denunciantes logrem êxito na demanda judicial e consigam ascender ao Poder.
(Por: - Analista Judiciário da Justiça Eleitoral)

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