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terça-feira, 20 de março de 2012

ELEITOR, CONHEÇA O BOM GOVERNANTE!

"O regime democrático é o pior dos regimes, com exceção de todos os outros" W. Churchill
Entre o discurso do governante e a escolha do eleitor há um imenso espaço e muitas vezes uma grande distância. Nesse espaço encontram-se as angústias e esperanças de um povo.

A distância que os separa está diretamente relacionada com a capacidade do governante e de sua equipe em compreender e atender aos anseios da sociedade. Do que mais sociedade precisa hoje é de bons governantes e bons eleitores para aprimorar o regime democrático.

O bom governante distingue, com clareza, as proposições e intenções de campanha das estratégias de governo para implementação das propostas.

O bom governante sabe manter vivo o compromisso assumido com a sociedade diminuindo, eliminando ou mesmo superando a distância que separa as realizações das intenções.

O bom governante sabe que o grande segredo para se fazer um bom governo reside, em grande medida, na formação de sua equipe de executivos.

O bom governante tem clareza da existência de áreas na gestão pública que exigem profissionais com predominante competência política e sabe avaliar àquelas onde a competência técnica é mais exigida.

O bom governante sabe ainda ser imprescindível que os seus executivos, qualquer que seja a função que ocupem, além de postura ética e honradez devem ter competência interpessoal, capacidade de articulação e de negociação, além, claro, de espírito democrático.

O bom governante tem plena consciência de que as suas decisões, na composição das equipes, são pessoais, por prerrogativa da função, e sabe que umas são mais pessoais do que outras. Em sua cota pessoal e intransferível está, seguramente, o tripé de apoio à escolha de prioridades e ao gerenciamento das ações de governo: o planejamento, as finanças e a administração.

Estratégias e ações que reproduzam melhoria na qualidade de vida das pessoas não são do governo, e sim da sociedade. Se implementadas numa perspectiva de modernidade estarão, no mínimo, sintonizadas com os seguintes princípios desejáveis:

(1) O planejamento é entendido como processo compartilhado com as comunidades, movendo-se do plano das intenções para o acontecimento estratégico, com monitoramento e revisão permanente das ações.
(2) As finanças públicas são gerenciadas com eliminação da arcaica, perseguidora e costumeira visão fiscalista do Estado, substituindo-a por moderna visão do tributo como instrumento indutor do desenvolvimento, oferecendo espaço para a efetivação dos talentos empreendedores existentes no Estado.
(3) A administração deixa de ser menos cartorial e de simples tesouraria para pagar funcionários passa a colocar em prática o conceito profissional de gestão de pessoas, com investimento intensivo em capacitação e reciclagem.
(4) Nas relações com a sociedade o governo se obriga ao cumprimento fiel e respeitoso dos direitos de cidadania, sem que esteja sempre sendo lembrado desse compromisso.
(5) Deve incorpora ainda o formidável conceito – pouco assimilado por essas bandas - de que a sociedade sempre será maior do que o governo. E este será sempre maior do que o governador.
(6) Por fim deve adotar como "mantra" o princípio constitucional da liberdade absoluta, traduzida na expressão de uma geração rebelde da década de 60 "Sou contra o que você diz, mas defenderei até à morte seu direito de dizê-lo!"

O povo, em sua sabedoria, - se feita uma adequada leitura do inconsciente coletivo - faz a sua opção por um governante não pelas propostas que este apresenta, mas pela esperança de ver os projetos concretizados. Com isso ao votar, estão escolhendo também a habilidade do governante em formatar sua equipe.

Não é o povo que escolhe a equipe, mas é ele que faz a encomenda dos resultados que deseja. Um raciocínio purista concluiria que é democrática a escolha de governantes e legisladores, sendo menos identificado com o regime o processo de escolha dos executivos e auxiliares que irão contribuir na implementação das ações.

Na verdade, o processo democrático ainda não avançou na busca de formas de escolha das principais equipes que irão implementar as propostas aprovadas pelo povo. Continua de responsabilidade exclusiva do governador eleito. As universidades federais do Brasil são exemplos dessa busca.
Enfim, o povo delegou ao governador eleito essa atribuição, assumindo a postura de cobrador dos resultados na ponta das realizações.

O bom eleitor desconfia dos programas compensatórios, paliativos e todos aqueles que colocam os governantes como figuras generosas que atendem as necessidades dos pobres cidadãos. A renda conquistada com esforço próprio é a libertação do cidadão.

O bom eleitor exige que a equipe do governante fuja do método clássico de abordagem das questões - aquele que começa por diagnosticar, levantar estatística, produzir planilhas e discuti-las exaustivamente com equipes-meios - e ingresse, de imediato, com propostas e ações preparatórias e convergentes na direção dos primeiros resultados.

O bom eleitor expressa sua indignação dizendo em alto e bom som "Chega de diagnósticos!", “Chega de discursos!”. “Chega de promessas!” Afinal, deles, as mesas e prateleiras estão cheias! Sem contar o fato de a sociedade estar sempre ausente nesse processo de estudos e reflexões.

O bom eleitor tem consciência e sabe que a mobilização e participação da comunidade em todas as questões relacionadas com a construção do seu futuro não só é a alavanca central de todo o processo, como deve, para o alcance da eficácia desejável, ser seletiva - sem perda da integração com o todo - no trato de questões temáticas selecionadas.

É imperativo que o espaço entre o governante e o eleitor seja preenchido com ações efetivas de melhoria da qualidade de vida do povo. E que as nossas escolhas viabilizem a construção de desejável empatia entre governo e sociedade, onde o respeito mútuo seja permanentemente valorizado. 

(Mauro Nunes - Palestrante e Consultor Especializado em Empreendedorismo, Mudança e Visão de Futuro, Planejamento e Gestão estratégica)

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